O maior castigo para os que não cuidaram adequadamente da dentição natural é a perda sumária dos dentes e sua consequente discriminação social por sua ausência, que se agrava na medida em que a perda for de mais dentes ou se situar na região frontal. Nossos hábitos de comportamento têm códigos que ninguém nos ensinou, mas que nos levam a prestar atenção em defeitos físicos, principalmente se forem na face. Os que trazemos desde o nascimento e sem a participação voluntária do portador, nos causam dó e os decorrentes de maus cuidados, nos levam a julgamento de seu possuidor. Ter dentes e gengivas bem tratados, além de uma preocupação com a saúde do nosso corpo, é hoje uma forma de identificação do grau de desenvolvimento social de uma pessoa e usado como avaliação natural na obtenção de empregos e na própria aceitação para convívio interpessoal. Perder dentes é também sinal de envelhecimento, principalmente se forem perdas precoces. Os sentimentos de mutilação que sua falta nos traz são subjetivos, pela atenção que prestam ao detalhe os demais humanos, embora, em alguns casos, esta postura seja até desumana.
Temos que ter consciência de que a primeira e segunda dentições nos foram cortesia do Criador e por ela nada tivemos que pagar. Nosso único compromisso, que deveríamos ter conosco mesmos, seria o de bem cuidá-las. Por as recebermos de graça, muitos não as valorizam na forma devida. Alguns jovens imaginam que tratar dentes é coisa para velhos e só depois de ter mais idade se darão conta de que alguns cuidados com a dentição são fundamentais e devem ser tomados na adolescência, principalmente os que envolvem prevenção e correto posicionamento dos dentes. A fase do crescimento é muito importante também para os dentes, devendo-se cuidá-los como fazemos com nossos cabelos, unhas, barba, banhos e outros afazeres da higiene pessoal, assim como na fase dos “enta”, além de preocupar-se com o coração, devemos dar atenção à nossa dentição. Até porque, se não o fizermos, além de perdermos os dentes, poderemos, por suas infecções e bactérias decorrentes, estar prejudicando todo o nosso organismo, inclusive levando alguns tipos de microorganismos fulminantes para a circulação sanguínea e seu órgão centralizador.
Dentes sem cuidados são como um carro do ano com muitos amassados, pintura estragada e vários pontos de ferrugem. O motor, o estofamento, a suspensão e os pneus podem estar bons, mas seu preço cai violentamente, porque ninguém o quer. Sua aparência é deplorável e nos dias do mundo globalizado a imagem é, muitas vezes, mais importante que o conteúdo, principalmente na primeira avaliação, que não raro nos leva a não analisar com a devida profundidade os demais itens. Pode parecer duro e injusto, mas contém pura verdade. Às vezes, não exteriorizamos estes critérios por normas de conduta social, mas no íntimo os consideramos e fazemos deles verdadeiros paradigmas. E entre estes, ter bons dentes é fundamental para ser bem visto e aceito.
Não desanime! O bom da Odontologia é que todos os seus problemas têm solução. É só não deixar para amanhã. Por que no amanhã você poderá tê-los perdido e, com implantes, as despesas serão maiores, se bem que hoje já bem acessíveis a todos os que dão valor à sua imagem.
As manchas dentais são alterações de coloração na superfície dos dentes por motivos diversos. As mais conhecidas são: as alaranjadas, bactérias conhecidas como lutescens; marrons, comuns nos incisivos inferiores, pelo lado da língua, formados por deposição de substâncias aderentes; metálicas, com variações de acordo com o produto que as originou e que pode ser mercúrio, bismuto ou outros; negras, surgidas pela ação de bactérias cromo¬gênicas, são mais encontradas nos incisivos inferiores, e as verdes, também atribuídas à ação de bactérias. Outras são as resultantes pelo vício de fumar, que provocam cor amarelada no esmalte. Também existem as manchas da mucosa bucal, que têm origem vascular, como as da sífilis, sarampo e o eritema, provocado pela insolação.
As manchas dos dentes com alterações estéticas são as naturalmente relatadas para tratamento, que é feito por remoção, dos efeitos e do fato causador. As do cigarro voltam se o portador não parar de fumar. Para ajudá-lo na decisão, lembre quantas outras manchas ele causa em outras partes internas e mais sensíveis do seu corpo. Deve-se prestar, também, atenção para as manchas das gengivas e bochechas, porque, embora não aparentem, são as mais perigosas por serem sinal de que algum tipo de câncer possa estar presente.
Para todas, não vacile. Procure logo um dentista, que as analisará e lhe dirá os cuidados que precisam ser tomados. Lembre que, mesmo que estejam sinalizando algum câncer, estas manchas são só um aviso, sinal de que ainda há tempo para tratá-lo enquanto for benigno, que é o caso da maioria. Só a opinião de quem conhece e estudou o assunto deve ser levada em consideração. E nisto você pode confiar, que o seu dentista sabe realizar o diagnóstico ou indicar um especialista para que o faça.
Os provisórios são próteses de um ou mais dentes, colocadas pelos dentistas, durante o período em que são feitos os preparos e confeccionada a prótese definitiva. Nos casos unitários, eles usam dentes que já vêm pré-fabricados e são unidos aos dentes dos lados por resinas que endurecem rapidamente. Para casos de mais dentes, são confeccionadas, no laboratório de prótese, próteses simples, também com dentes de estoque, chamadas de próteses provisórias. Estas têm durabilidade pequena, porque são feitas para permanecer somente por alguns dias, assim como sua fixação também é feita com cimentos provisórios, que, se forem forçados, afrouxam. Nestes casos tem-se que voltar ao consultório, levando este provisório que se soltou, pois ele é que será recolocado. Às vezes, os provisórios soltam porque têm algum contato com o dente oposto, que não deveria existir, devendo, por isso, ser reajustado. Estas readaptações não têm por objetivo prolongar a vida dos provisórios e sim somente permitir que funcionem por mais alguns dias, enquanto está sendo concluída a prótese definitiva.
Os provisórios permitem que o paciente possa levar uma vida quase normal durante o período em que se processa a sua reabilitação, principalmente na parte estética, já que a funcional precisa um tipo de prótese que resista às forças mastigatórias. Quando as próteses são grandes e dependem de montagem em articulador, modelos de estudos e provas em cera ou metal, os dentistas fazem um provisório melhorado, que chamam de prótese intermediária, que, além de provisórios, funcionam para avaliação.
Para próteses pequenas, seu dentista não terá dificuldades de encontrar a solução adequada. Se ele não for protesista e a prótese for complexa, talvez o indique a um especialista.
Dr. Marco Antonio Franco Cançado


