Hoje iremos falar sobre dois assuntos interessantes: prótese fixa e 3º molar mais conhecido como siso.
Mesmo com a evolução dos implantes, a primeira opção para tratamento deve ser a conservação e manutenção dos dentes ou raízes destes, para sustentação de próteses fixas. Este tipo de prótese, que não pode ser retirada pelo paciente é cimentada pelo dentista na parte remanescente dos dentes que foram preparados. Sua primeira finalidade é restaurar a função do dente perdido e depois repor a estética, simulando um dente natural, com dados do outro dente similar que temos no lado oposto da boca. Modernamente, usam-se resinas tão perfeitas que fica difícil identificar qual é o natural e qual é o artificial.
Depois do preparo dos dentes, quando o dentista os desgasta de forma a que fiquem aptos para reterem a prótese, o profissional faz uma moldagem dos seus dentes para enviar ao laboratório de prótese, que irá fazer um modelo da sua boca, inclusive o colocando num aparelho chamado articulador, que irá simular os movimentos da sua articulação. A estrutura interna da prótese é feita em metal, para dar-lhe maior resistência, sendo esta testada em sua boca para verificar a adaptação da mesma. Caso ela esteja de acordo com o preparo que foi feito nos seus dentes, será então aplicada a porcelana, que simulará seus dentes. Recebe ela, ainda, um acabamento final, para maior durabilidade. Para ter certeza que está funcionando bem, em alguns casos, é feita uma cimentação provisória para testes e só depois procedida a sua cimentação definitiva. Durante o período que sua prótese estiver sendo confeccionada, você ficará com uma prótese provisória. A participação do paciente nesta etapa de confecção e colocação da prótese é importante, porque a partir de suas vontades e opiniões, o dentista poderá ir acertando a aparência da mesma, sempre de acordo com sua vontade, inclusive quanto à altura e contato com os demais dentes que você possui. Não deixe de revelar suas opiniões e expectativas, porque a prótese é feita para satisfazê-lo estética e funcionalmente. Quanto mais de acordo com sua vontade e gosto ela ficar, mais satisfeito você estará durante todo o período que ela durar.
Tecnicamente, as próteses são feitas para reabilitar sua mastigação e fonética, permitindo o adequado cortar e triturar dos alimentos e a possibilidade de continuar emitindo os sons, que, em sua maioria articulam-se na língua e com passagens de ar entre os dentes. Esteticamente, as próteses têm por objetivo deixar sua aparência e sorriso o mais natural possível, sendo identificador desta situação o fato das pessoas que não sabem, não perceberem que usamos próteses. Por esta razão, os dentistas se preocupam, sempre que possível, em deixá-las com a aparência o mais natural, inclusive no item cor dos dentes da prótese e suas variações em função das diversas incidências de luz.
Próteses simples e normais podem ser feitas com seu dentista clínico geral, que está capacitado a fazê-las, e as maiores ou mais complexas, por falta de muitos dentes, raízes inclinadas, dificuldade de higienização pelo paciente, necessidade de tratamento nos canais e nas gengivas, para aumentar a área dos dentes que irão servir de fixação, requerem um especialista, conhecido como protesista, que, além dos anos de faculdade, fez um outro curso oficial de pós-graduação, reconhecido como especialização em prótese dentária. Por ser um tratamento mais demorado na sua confecção e por ser colocado com uma expectativa de durar muito, não devem os pacientes tender por serviços muito mais baratos, sob o risco de estar optando por um tipo de prótese muito mais simples ou de menor durabilidade. Procure se informar sobre os diferentes tipos de material que podem ser empregados, suas vantagens e garantias, antes de decidir-se por uma ou outra modalidade de prótese.
Os dentes inclusos são aqueles que se encontram dentro do osso ou com parte dentro do osso e parte dentro da gengiva, sem terem erupcionado, muito embora já tenha passado o período normal para sua saída. A razão para que isto aconteça é, na maioria das vezes, a falta de espaço na arcada dentária, outras, pelo fato do dente vizinho estar torto, impedindo assim o seu nascimento, ou ainda, por resistência do tecido ósseo. Siso ou dente do juízo como é conhecido popularmente, por normalmente erupcionar próximo da maioridade, é o terceiro molar, um dente que a maioria das pessoas do nosso tempo já não apresenta. Para saber se temos ou não é fácil: basta contar os dentes que temos, desde que não tenhamos feito nenhuma extração e verificar se dispomos de vinte e oito ou trinta e dois dentes. Se forem vinte e oito é porque não temos e se forem trinta e dois é porque temos os quatro dentes do siso. Quando não os temos, pode ser que não tenhamos os embriões dentais que os originariam ou porque os mesmos se encontrem inclusos (alguns dizem retidos), ou seja, não nasceram por estarem dentro do alvéolo ósseo, sem condições para erupcionar ou por estarem impactados de encontro aos dentes da frente, os segundos molares.
Se o problema for identificado com antecedência através de radiografias tiradas na adolescência, sua solução pode ser a tentativa de, através de aparelhos ortodônticos, promover sua saída natural. Se não saírem, pode ser tentado um tracionamento deste dente, puxando-o progressivamente com apoio em outro dente próximo, ajudado pela remoção de partes duras do osso que estão dificultando sua erupção. Ou ainda a utilização destes dois métodos em conjunto, sucessivamente. Só não se fazem estas tentativas se o espaço para estes dentes que não nasceram não for suficiente ou se, com isto, eles vierem a pressionar os demais dentes. Nestes casos, e quando existe a possibilidade destes dentes inclusos virem a trazer dor, a indicação é sua extração, que é uma ação demorada , pelas dificuldades de acesso e pelas próprias razões que impediram seu nascimento, o travamento em dentes e paredes ósseas.
Conseguindo-se fazê-lo erupcionar na adolescência, tem-se a vantagem de novos dentes, tantos quantos forem os que estavam inclusos. Não se conseguindo, é conveniente a sua extração, para evitar problemas futuros, de prejuízo aos dentes vizinhos a casos de dor intensa, pelo esforço do organismo em tentar colocá-los para fora e não consegui-lo. Ter os dentes bem alinhados representa facilidade para a higienização e menor risco para o surgimento de cáries e doenças das gengivas. Daí muitas vezes a indicação de extração dos inclusos, justamente para não entortarem os demais.
Dentes inclusos são, normalmente, extraídos pelos próprios dentistas, sempre que o acesso e a remoção possam ser feitos sem dor ou cansaço, por uma a duas horas de trabalho. Quando imaginam que se trata de um caso mais complexo ou difícil, costumam encaminhar a especialistas, principalmente os casos em que os dentes estiverem impactados, ou seja, presos em outros dentes, principalmente o mais do fundo. Nestes casos, pelo procedimento de extração ser mais difícil e requerer instrumental mais específico e apropriado, um cirurgião bucomaxilo facial terá melhores resultados, diminuindo o desconforto e minimizando a dor pós-operatória. Identificado o problema a extração deve ser feita assim que possível, para evitar a situação indesejada de dor pela pressão do dente que está incluso, tendo com isto, certamente, uma remoção mais difícil.
Dr. Marco Antonio Franco Cançado


