quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Programa Sorria Sempre - Rádio Nova Aliança - 31out2011

Em continuidade aos assuntos mais relevantes sobre odontologia e suas mais variadas formas de tratamento, hoje falarei sobre tratamento de canal, enxerto de osso e check-up bucal.

  

Canal radicular é a parte das raízes dos dentes por onde passa o conjunto de vasos e nervos que ligam os dentes ao sistema nervoso central. Pode-se dizer, também, que é o espaço ocupado pela polpa dentária radicular. Em conseqüência de cáries não tratadas e que atingem o terceiro grau (o primeiro é o esmalte, o segundo a dentina e o terceiro a polpa ou canal), quando ele ainda se encontra com vitalidade, penetrando na câmara pulpar numa forma de invasão, contaminando esta região, a qual se isto não acontecesse, permaneceria fechada, sem contato com o meio externo. As proteções maiores estão no esmalte e na dentina. Quando chega na polpa, a invasão é rápida e fácil, desencadeando o processo de infecção dos canais radiculares. Este é o momento em que os canais precisam ser tratados, inclusive porque, na sua fase aguda, com os microorganismos enclausurados nos tecidos, a dor é intensa, chegando em muitos casos a ser insuportável.

 A primeira parte do tratamento de canal é sua desinfecção, quando se removem os restos pulpares com dentina infectada e outras substâncias estranhas das paredes dentinárias. Esta etapa é mecânica, mas inclui a utilização de elementos químicos, como o hipoclorito de sódio para lavagem dos condutos. Sua complementação é feita com medicação para ação regenerativa indutora da formação de uma capa dura de hidróxido de cálcio para sua proteção, na forma de um recobrimento direto ou indireto. Conclui-se o tratamento do canal com sua obturação definitiva, fase que só acontece após um fechamento provisório por 24 horas, para melhor avaliação do tratamento feito. De acordo com as necessidades de abertura do canal, pela perda de dentina e esmalte, a obturação é feita para permitir maior resistência ao dente, ou ainda, para que o mesmo possa receber uma restauração metálica ou servir de suporte para confecção de uma prótese apoiada em sua estrutura remanescente.

Motivo maior para se fazer o tratamento de canal é não perder o dente. Nos casos em que o tratamento de canal é feito em tempo hábil, permite-se o aproveitamento integral do dente mediante uma simples restauração. Se alguns dentes já foram perdidos, outros dentes serão utilizados para sustentar próteses que irão repor os dentes perdidos. Nestes casos, quase sempre o tratamento de canal é necessário para que não aconteçam problemas depois que a prótese já tenha sido colocada tendo-se que removê-la para tratar os canais. Outra vantagem do tratamento de canal, quando necessário, é o fato de que um canal tratado tira a vitalidade daquele dente, ou seja, este dente não tem mais possibilidade de vir a doer. Deve-se pensar também que dentes infeccionados estão espalhando pelo corpo agentes infecciosos, justamente por nossa porta de entrada mais direta, que é a boca, podendo desencadear outros processos infecciosos. Por estes motivos, canais infeccionados devem ser tratados o quanto antes, inclusive para evitar a fase aguda, em que a dor é latejante.

Todos os dentistas aprendem a fazer tratamentos de canal. Os canais dos dentes anteriores, além de serem unitários, são retos e de mais fácil tratamento. Os pré-molares tem dois canais e os molares três, sendo, nestes últimos, comuns os canais curvos em função de serem tortas as raízes de muitos dentes. Canais curvos, e com canais secundários são de mais difícil tratamento, motivo pelo qual alguns profissionais preferem optar por encaminhar este tipo de paciente a especialistas. Os especialistas em tratamento de canais são chamados de endodontistas e, normalmente, preferem que os pacientes venham indicados por seus dentistas, para saberem de antemão o que pretendem estes colocar sobre o dente que terá seus canais tratados. Canal só dói se não tratado. Feito o tratamento, não dói mais.


Enxertos são colocações de materiais sintéticos, de origem em outros animais (heterógeno) ou do próprio organismo humano (homógeno), para se tentar corrigir algum defeito por falta de tecido decorrente de perda óssea patológica ou como resultado de extrações, podendo ainda ser de gengiva, caso esta tenha sofrido retração ou perda. Os próprios dentes podem ser enxertados, em trabalho denominado de transplante e que será objeto de um item à parte, mais adiante. O princípio da maioria dos enxertos é estimular uma nova formação de tecido perdido, através de uma preparação da área onde se pretende que o mesmo tecido volte a crescer, a partir de um processo de regeneração.

A técnica consiste em abrir a área onde aconteceu ou está acontecendo a perda de tecido, identificar o agente causador, interrompê-lo para que o processo não continue e, através da colocação do enxerto, possibilitar que o próprio organismo estimule a formação de novo tecido, como acontece, por exemplo, na cicatrização de uma ferida, que é também o mesmo princípio da união de um osso que esteve quebrado ou da reposição do sangue perdido em um traumatismo, pelo fato de existir no organismo uma propensão a reparar-se com reposição de partes perdidas. No caso dos enxertos usados na Odontologia, a utilização dos materiais de preenchimento, propósito de preservar a área que se pretende regenerar, de forma a evitar que outro tecido (gengiva, por exemplo) cresça mais rápido. Condições para o sucesso dos enxertos são a assepsia e anti-sepsia da área a ser enxertada e a condição estéril do material a ser enxertado. Os enxertos de melhor resultado são aqueles em que o doador é o próprio receptor, ou seja, quando se retira um pequeno fragmento de osso de uma região não tão importante, para levá-lo para outro lugar onde ele será mais necessário. O segundo tipo mais eficiente de enxerto usado quando não existe tanta necessidade de qualidade no resultado ou quando as áreas doadoras do próprio paciente não estejam disponíveis, é o enxerto de tecido similar, proveniente de outro animal (por exemplo, osso bovino). Por último, mas também com bons resultados quando o objetivo do enxerto é estético, são os enxertos com materiais sintéticos, como por exemplo, as hidroxiapatitas, cuja estrutura se assemelha à encontrada na nossa parte óssea. Modernamente, tem sido bom coadjuvante dos enxertos a colaboração do paciente, seguindo corretamente a medicação que lhe for recomendada e a utilização de raios laser, como aceleradores do processo cicatricial.

Os enxertos devolvem estrutura, melhorando estética e função quando estas são importantes, como por exemplo, nos casos em que é necessário mais osso para fazer uma implantação ou quando é preciso mais gengiva para dar estética a uma prótese. Em alguns casos, estes são imprescindíveis, como nesta situação de implantes e, noutros brindam uma melhora substancial na aparência, beneficiando significativamente o resultado visual do tratamento.

Em Odontologia, o especialista que mais lida com enxertos é o periodontista. Depois deste está o implanto­dontista e também o cirurgião bucomaxilo facial. Estes, pela experiência, estão aptos a conseguir bons resultados com enxertos, o que não impede um clínico geral com bom conhecimento da técnica e boa experiência, obter também bons resultados. Como a maioria dos procedimentos odontológicos, um dos requisitos mais importantes dos enxertos é sua correta indicação, ou seja, um estudo do caso para certificação de que os enxertos são viáveis naquele paciente e para aquele caso. Havendo esta, uma boa técnica e materiais os resultados dos enxertos têm sido animadores.


“Chech up” é um exame completo de todas as possibilidades de problemas relacionados com a saúde bucal, a exemplo do “check up” realizado pelos médicos, para o corpo todo. Alguns “check up” médicos incluem um bucal detalhado. Para os que tiverem interesse de saber a real situação de seus problemas odontológicos, existe o “check up” bucal. Ainda não muito difundido na Odontologia, seria de grande valia para identificar doenças que estejam começando na boca e que, como tal, teriam melhores perspectivas de tratamento, por estarem na sua fase inicial. Além dos problemas com os dentes, muitas outras doenças de várias partes do corpo têm manifestação na cavidade oral, o que permitiria seu diagnóstico por sinais ou sintomas e conseqüente encaminhamento ao médico especialista competente que, em muitos casos, só seria chamado a intervir nas fases agudas das doenças.

 Todo bom diagnóstico começa por uma boa anamnese, que vem a ser um histórico clínico levantado junto ao paciente, através de perguntas objetivas, para esclarecer os antecedentes, tais como doenças familiares, medicamentos usados, hábitos e vícios do interessado. Continua por um exame clínico baseado nos processos de inspeção, palpação e sondagem, complemen­tando-se o diagnóstico definitivo com exames radiográ­ficos (radiografia periapical, radiografia da ATM, radiografia panorâmica e, se preciso, uma tomografia), além dos citológicos (estudo das células), hematológicos (exames de sangue) e bioquímicos (exames com reagentes), quando necessários, para elaboração de um prognóstico, além de planejamento terapêutico. Um bom mapeamento dos problemas odontológicos de uma pessoa deve conter não só os problemas atuais, mas também possíveis ocorrências caso algum tratamento não venha a ser feito, além de estabelecimento de prioridades dentre os problemas levantados, de forma que esteja bem claro o que é urgente e o que pode ser resolvido em etapas seguintes. Observar o funcionamento da articulação temporo mandibular e das glândulas da cavidade oral são extensões úteis a um exame de “check up” bucal.

Não ser pego de surpresa por dor ou despesas maiores não programadas, deve fazer parte das preocupações de uma pessoa que planeja sua vida e que não possa ou  não queira arriscar-se em contratempos desta ordem. Prevenir é sempre melhor que remediar e planejar, igualmente tem vantagens sobre improvisar. Saber o que poderá lhe acontecer, odontologicamente falando, é a maneira certa de se precaver de mal maior. Boa parte dos problemas dentários é mais facilmente resolvida se detectada no início, além da natural economia quando as providências são tomadas nesta fase. Os planos de tratamento são mais bem executados se forem precedidos de um bom planejamento, que requer sempre tempo para estudos e exames para confirmar a natureza dos problemas.

Exames clínicos são bem feitos pelo seu dentista, que se julgar necessário um levantamento radiográfico mais completo, o encaminhará a um radiologista, especialista em confecção de radiografias panorâmicas ou tomografias. Sendo necessário, serão solicitados exames laboratoriais específicos. Caso se suspeite de alguma doença diferente das cotidianas dos consultórios dentários, as médias e grandes cidades já dispõem de institutos de diagnóstico odontológico, onde patologistas tem condições de formular com segurança seu atual estado e as providências e tratamentos necessários. No futuro, o “check up” bucal será rotina nos bons consultórios, elemento de identificação dos bons profissionais e diferencial decisivo para eleição de um dentista, ao qual se vai confiar a saúde bucal.

Dr. Marco Antonio Franco Cançado

C01 Lotes 01/02, Salas 424 - Ed. Taguatinga Trade Center - Taguatinga / DF CEP: 72010-010 Fone: (61) 3352-9602
Modelo desenhado pela Head Trust