terça-feira, 8 de novembro de 2011

Programa Sorria Sempre - Rádio Nova Aliança - 17out2011

Em continuidade aos assuntos mais relevantes sobre odontologia e suas mais variadas formas de tratamento, hoje falarei sobre estética dental e hipersensibilidade.

        Os dentistas são unânimes em afirmar que dentes separados tem mais facilidade de higienização e, como tal, apresentam menor risco de cáries. Mas quando os dentes são muito separados, normalmente as pessoas reclamam de sua estética e do fato de, algumas vezes, terem algumas limitações fonéticas decorrentes disto. A razão destes dentes de tamanhos menores é, normalmente, vinculada a fatores hereditários e de raça, que levam a alguns dentes, principalmente os de menor função, como os laterais e pré-molares, a ser despro­porcionalmente menores que os demais, tirando a harmonia da dentição e em, alguns casos, dando feições juvenis e infantis às arcadas de pessoas adultas, gerando-lhes descontentamentos ou traumas.

Com a evolução da Odontologia estética, fruto do resultado de pesquisas que levaram ao lançamento mundial de resinas de última geração, que têm como características a perfeição de consistência, total similaridade de cor, textura da dentina e esmalte dos dentes, além de características de união às estruturas dentais, a possibilidade de solução para estes problemas passou a ser excelente. Tanto que a área da Odontologia que mais cresce entre os clínicos gerais é, justamente, a ligada à estética. Colaborou também muito para este sucesso o lançamento de aparelhos de emissão de luz foto-ativadora, que tem por finalidade polimerizar (endurecer) estes modernos materiais restauradores usados para aumentar dentes pequenos ou corrigir pequenas anormalidades de posicionamento de um dente. Também as técnicas de preparo e proteção às partes fundamentais dos dentes evoluíram substancialmente, sendo possíveis, hoje, tratamentos estéticos quase imperceptíveis, sempre que bem indicados e executados por profissionais competentes.

A grande vantagem do estado atual da Odontologia é poder mudar radicalmente a aparência das pessoas apenas com pequenas correções na forma de alguns dentes, propiciando, ao todo, uma condição mais harmônica, permitindo ao seu portador um sorriso mais natural, bonito e espontâneo. Estar de bem com sua aparência é a maneira mais direta de nos sentirmos satisfeitos conosco mesmos e mais seguros em nossas atitudes, principalmente naquelas que envolvem relacionamento social através da fala. Se com o sorriso movimentamos vários músculos para expressar alegria e satisfação, com dentes que nos desagradem enrijecemos alguns músculos da face, para não mostrar ou minimizar a aparência de dentes que nos desagradam. Com os dentes refeitos dentro dos modernos padrões de estética facial, podemos soltar nossa personalidade e desfrutar da espontaneidade, nossa característica maior depois do sentimento.

Como nosso corpo em seu todo, nossos dentes têm um período paralelo de desenvolvimento e crescimento. Até a adolescência não só eles podem crescer como mudar de posição, alterando tamanho e inclinação. Após esta fase, só mudarão por alguma disfunção, sendo a partir de então o momento indicado para as correções que se fizerem necessárias para acertar forma e estética. Na dúvida, existem meios de determinação de idade óssea e término da fase de crescimento. Dentes pequenos são corrigidos pelos dentistas com material e aparelhos apropriados, procedimento que pode ser feito pelo seu próprio dentista ou caso este não se dedique à estética, ele poderá indicar um especialista na área.

      Nossos dentes têm sua parte sensível na forma de pequenos canais chamados canalículos dentinários, que, para entender melhor, são ramificações minúsculas ligadas ao canal principal do dente, que é seu elemento de comunicação com o sistema nervoso central. Quando um dente tem uma cárie, uma fratura, podendo ser uma pequena rachadura do esmalte, uma retração gengival resultante de doença das gengivas ou quando há perda do esmalte do dente, a resposta dolorosa resultante aos estímulos térmicos, de agentes químicos ou ao próprio toque da língua ou outro objeto, recebe o nome de sensibilidade de colo. Em algumas pessoas e em determinadas faixas etárias, esta é maior, impedindo que a pessoa tome um sorvete, um chá ou café quentes. Nos jovens, acontece mais em caso de fraturas pequenas, às vezes imperceptíveis. Nos adultos, quando em decorrência da perda do osso que sustenta os dentes, parte da raiz se expõe, mesmo que, visualmente, pouco se perceba. O sintoma, em ambos os casos, é sentir os dentes, o que em condições normais não acontece. Não chega a ser uma dor, mas sua constância incomoda sempre que algum estímulo aconteça.

Existem alguns tratamentos paliativos, que funcionam mais ou menos segundo o limiar de sensibilidade de cada um. Antes de fazer qualquer tratamento, alguns dentistas recomendam o uso de creme dental específico para dentes sensíveis, como primeira tentativa. Os tratamentos mais comuns são à base de aplicações de nitrato de prata, cloreto de zinco ou ferrocianeto de potássio, sempre em porcentagens e fórmulas de diluição ou aplicação a critério do dentista, que optará segundo o grau de sensibilidade e reação de cada paciente. Alguns casos têm melhores resultados quando a aplicação, ao invés de ser tópica, é feita com deposição eletrolítica, ou por aplicações de raios laser. Outros, mais extremos, requerem cortisona e nos pacientes em que a sensibilidade não cessa mesmo com as aplicações, a solução última é o tratamento do canal.

A sensação de alívio ao receber a aplicação, para muitos, é imediata e só o fato de ser feita uma ou algumas aplicações já soluciona o problema em definitivo. Noutros, após algum tempo a sensibilidade retorna, sendo necessárias novas aplicações. Quem tem sabe o quanto vale o tratamento, que é simples e, ao contrário do que se imagina, não dói, pois só faz aliviar a dor. Em ambos os casos, só o fato de se fazerem as aplicações pode ser solução definitiva para o problema. Quando não, e estando indicado, o tratamento do canal do dente passível de sensibilidade é o consolo e descanso para quem sofre mais com os efeitos da sensibilidade. Só de lembrar que, de quando em quando, seus dentes ficam mais sensíveis, a vontade de ver-se livre do incômodo justifica qualquer sacrifício.

Para dentes sensíveis, não existe época ideal para tratar. Havendo sensibilidade, tem-se que procurar o dentista e buscar a solução. Não se justifica sofrer por causa de sensibilidade se o tratamento é na, maioria das, vezes simples, rápido e barato. A melhor coisa a fazer é ir ao dentista no dia em que a sensibilidade estiver se manifestando mais, de forma que ele possa identificá-la melhor e avaliar o resultado das aplicações. A maioria dos dentistas está acostumada a solucionar os casos normais de sensibilidade, não havendo ainda especialistas indicados nesta área, embora já existam na Odontologia, profissionais que estão se especializando em estudar os mecanismos da dor e as diferentes maneiras de combatê-la e solucioná-la. Nos casos mais avançados, pergunte a seu dentista se é o caso de lhe recomendar algum especialista.

Dr. Marco Antonio Franco Cançado

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